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Regeneração do Sistema Hídrico do Sapal de Venta Moinhos

O projecto consistiu na recuperação de uma área de pastagens, o antigo sapal de Venta Moinhos, numa zona húmida, com o objectivo de criar micro-habitats favoráveis a um elevado leque de espécies animais ao longo do todo o ano, maximizando o interesse ambiental e pedagógico local.
 
O Sapal de Venta Moinhos é a maior porção contínua de terreno que o Instituto da Conservação da Natureza (lCN) possui na Reserva de Castro Marim.

Originalmente os terrenos eram leito de cheia do Guadiana, criando um sapal natural, até ao momento em que foi erguido um cômoro na margem. Desde essa altura, a zona perdeu a sua característica de sapal e passou a servir sobretudo de zona de cultivo de cereais e pastagem.

O sapal de Castro Marim tornou-se assim, no decorrer do tempo, numa área aberta onde o cereal deixou de ser rentável, continuando a ser utilizado esporadicamente como área de pastagem. 0 seu interesse biofísico era baixo face ao elevado potencial de localização. Decidiu assim o ICN investir na reconstituição de uma zona húmida, atractiva para aves da região (nomeadamente anatídeos, Iimícolas e aves marinhas) e torná-lo um sítio de atracção e valia pedagógica.

A realização deste projecto implicou o conhecimento das espécies de aves potenciais de ocorrência no local, sua variação sazonal e numérica, bem como dos seus principais factores de atracção (nomeadamente repouso, alimentação ou nidificação). Em simultâneo o projecto teve em consideração as presenças de espécies faunísticas e florísticas relevantes na área de intervenção, por forma a que a implantação da zona húmida proposta não colidisse com essas "pré-existências".


Com este trabalho de identificação, detectou-se a existência no local de duas espécies importantes - Calandrella rufescens e Cephalota hispânica. Como tal, e também por razões de carácter financeiro, decidiu-se manter o uso da área aberta na zona utilizada pelas mesmas, limitando a zona alagada a criar para cerca de 30 ha. Estes foram ocupados por planos de água num sistema lagunar aberto, associado à variação de marés do estuário do rio Guadiana.

Face à ligação directa da zona húmida projectada com o rio Guadiana, as cotas de plano de água e sua variação foram definidas em função do regime de marés aí ocorrente, por forma a criar ritmos naturais de presença de água. Criaram-se também condições propícias para alimentação, nidificação ou repouso de várias espécies aquáticas, particularmente de aves.

Neste contexto, o perfil do leito das zonas húmidas foi dimensionado de forma a existirem áreas distintas com profundidades variáveis, para a alimentação e repouso das várias aves. Foi necessário efectuar um levantamento pormenorizado dos hábitos alimentares da avifauna da região, sendo inclusivé necessário efectuar uma modelação das profundidades detalhada ao nível da dimensão dos bicos.

Nos planos de água foram instaladas ilhas para nidificação das aves, distantes o suficiente da presença humana e de predadores, para não serem perturbadas.


Complementarmente o ICN efectuou a transformação de um antigo assento de lavoura, em Sede da Reserva e Centro de Interpretação, onde se construíram observatórios para aves. O acesso ao sapal é estritamente controlado para evitar a perturbação das aves, havendo apenas 3 Km de caminhos para peões, que dão acesso a 4 observatórios localizados junto ao pIano de água criado. O trabalho desenvolvido tem acompanhamento técnico constante, de forma a monitorizar a evolução da população animal e garantir que as condições favoráveis à mesma se mantêm ou mesmo evoluem.

Em Maio de 2004, a APEA, Associação Portuguesa de Engenheiros do Ambiente, atribuiu o Primeiro Prémio de Excelência em Recuperação e Requalificação Ambiental ao projecto descrito, reconhecendo a sua criatividade e qualidade técnica.

DADOS TÉCNICOS
DESIGNAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DA OBRA: Regeneração do Sistema Hídrico do Sapal de Venta Moinhos, Castro Marim; CLIENTE: Instituto da Conservação da Natureza; EQUIPA TÉCNICA: Jorge Cancela, Arquitecto Paisagista; Renato Amaro, Medidor Orçamentista; Cristina Diogo, Técnica de Desenho; DURAÇÃO DO PROJECTO: 1998 a 1999; ÁREA: 30ha; ESTIMATIVA ORÇAMENTAL: 50.000,00€

 
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