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Parque Urbano da Encosta de Alcântara / Casal Ventoso

Lisboa recorda a sua História – Parque Temático sobre Geologia, Arqueologia e Antropologia – os primeiros Homens em Lisboa no Paleolítico, fauna e flora associada. O programa está no local, não é preciso inventá-lo só aproveitá-lo e desenvolver. Repor a dignidade de um território sofrido, com muito para contar.
 
O vale de Alcântara foi um dos primeiros e mais importantes locais de caça do Homem Paleolítico, que aí e na zona envolvente deixou dessa actividade vestígios. O mamute, o rinoceronte, o auroque, o leão das cavernas, o tigre dentes-de-sabre e outras espécies míticas de animais, aqui tiveram o seu habitat e constituíram o quadro referencial da vivência humana pré-histórica.

Esta memória deve ser recuperada; a presença da Arte na encosta e nos pontos de maior visibilidade induz requalificação visual do local, marcação de novas referências urbanas e criação de motivo de curiosidade que chame a atenção ao Parque e aos seus conteúdos culturais.


Pode-se assim apontar como objectivo último a constituição de uma nova valência cultural, histórica e pedagógica para Lisboa, com interesse para habitantes, escolas e visitantes, com inserção nas rotas do Património e ligação a outros locais de interesse a descobrir (ex: Museu da Cidade, Museu Nacional de Arqueologia, Museu do ex-IGM, etc).

A importância da mata atlante-mediterrânica na valorização paisagística e biofísica desta zona degradada é estratégica. A arborização da encosta é feita com espécies autóctones (pinheiros, carvalhos, flora mediterrânica) de porte elevado à plantação, resultando uma mais rápida ligação paisagística e visual à encosta de Monsanto e à Mata das Necessidades.


São criados percursos pedonais, zonas de estadia e contemplação, é feita a valorização das escarpas e do património geológico, dota-se o espaço de mobiliário urbano e iluminação exterior, criam-se redes de rega, drenagem e incêndio.

Aumenta-se a segurança de utilização, altera-se a imagem do Casal Ventoso, valoriza-se a componente estética da paisagem, organiza-se e qualifica-se uma zona degradada, recuperando a dignidade a um território muito sofrido, expondo um tema e criando uma nova “Alma”.


Inclui-se ainda a proposta referente ao fornecimento de um conjunto escultórico, constituído por 6 esculturas metálicas de diferentes animais, executadas em aço carbono tratado e pintado com cores vivas. As peças serão perfuradas em locais determinados para obviar a resistência ao vento, tendo como medidas aproximadas, comprimentos entre oito e doze metros e altura entre seis e dez metros.

Em fase sequente, é necessária a edificação do Centro de Interpretação como âncora de leitura do espaço, local de percepção desta zona e da sua história, com as correspondentes infraestruturas de acesso, estacionamento, acolhimento de escolas e visitantes – auditório, centro de exposições interactivas, 3D, folhetos e guias de descoberta e fruição da paisagem.

DADOS TÉCNICOS
DESIGNAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DA OBRA: Parque Urbano da Encosta de Alcântara/Casal Ventoso, Lisboa ; CLIENTE: Valorsul, SA; EQUIPA PROJECTISTA: Jorge Cancela, José Mário Afonso, Arquitectos Paisagistas; Pedro Cruz Gomes, Engenheiro Civil; João Lucas Patrício, Engenheiro Electrotécnico; Renato Amaro, Medidor Orçamentista; Cristina Diogo, Sandra Garcia, Técnicos de Desenho; Luís Cruz, Escultor; DURAÇÃO DO PROJECTO: Outubro a Dezembro de 2003; ÁREA: 15ha; ORÇAMENTO: 2.400.000€

 
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